Se você tem acompanhado as notícias sobre a crise com atenção, é provável que esteja com a seguinte dúvida: afinal, a crise é inflacionária ou deflacionária? Essa dúvida existe justamente porque a resposta não é simples. Esta crise tem o potencial para ser as duas coisas.A crise em que vivemos teve seu epicentro no sistema financeiro dos Estados Unidos. Anos de juros baixos, acompanhados de muita irresponsabilidade das instiuições financeiras, concedendo empréstimos a quem não tinha capacidade de pagamento, criaram uma bolha de preços dos ativos, principalmente das casas.
Simplificando, podemos dizer que o que ocorreu foi que achamos que éramos muito mais ricos do que na verdade somos. Quando a bolha estorou, uma montanha de dinheiro sumiu do mundo, um dinheiro que nao era compatível com a realidade da nossa riqueza. Por isso o crédito ficou muito mais difícil, empresas quebraram e o mundo todo enfrenta um cenário de atividade declinante e desemprego crescente.
Menos crédito e menos emprego (que equivalem a menos renda) reduzem a demanda por bens e serviços, o que faz os preços caírem. Daí a deflação. Existe mais oferta do que demanda e o preço precisa cair para gerar mais demanda e diminuir a oferta, até a economia entrar em equilíbrio novamente.
Ok. Fechamos a lógica da deflação, que é a parte mais simples. Mas e a inflação? De onde viria? Aguarde o próximo post!
*Felipe Taylor é carioca, economista, sócio da Axio Investimentos e escreve às sextas no Know or Never. Contato: felipetaylor@knowornever.com
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