

O ajuste tem que ocorrer, sobre isso não há dúvidas. Entretanto, os governos podem atuar de forma a fazer com que o ajuste da economia seja mais suave, parcelado. E é exatamente nessa direção que os governantes do mundo inteiro têm atuado. Sumiu um monte de dinheiro? Vamos injetar rios de dinheiro na economia, seja cortando impostos, seja investindo diretamente, comprando participações em bancos à beira da falência ou emprestando dinheiro a taxas baixas para empresas que não conseguem crédito no mercado. Bom, se o governo repuser todo o capital que foi perdido na economia, o problema estará resolvido. Certo? Infelizmente não...
O governo não pode simplesmente sair imprimindo moeda. Quando os governos decidem injetar capital na economia eles fazem isso se endividando. Emitem títulos sobre os quais pagam uma taxa de juros. E quem paga essa taxa de juros? Nós mesmos! Através dos impostos a mais que o governo vai ter que recolher no futuro para compensar os gastos de hoje.
Observe que a solução para a deflação é justamente gerar inflação. Injetar capital na economia é deliberadamente um esforço para subir os preços. Teoricamente, poderia ocorrer uma soma zero das duas forças, não gerando inflação. Mas é mais provável que ocorra um "overshooting" e terminemos efetivamente num ambiente inflacionário. O que é interessante aqui é que de certa forma é desejoso para as finanças públicas que o resultado seja um pouco de inflação. Isso porque a taxa de juros dos títulos que o governo emite para se financiar é, geralmente, fixa. Se existe inflação no mercado, os preços aumentam o que eleva a arrecadação de impostos, gerando mais recursos para pagar a dívida do governo. O custo da dívida permanece o mesmo e, portanto, fica mais fácil o governo honrar suas obrigações.
É isso aí. Tentei simplificar o máximo possível, pois o assunto é complicado. Dúvidas? Comentem ou mandem e-mail!
*Felipe Taylor é carioca, economista, sócio da Axio Investimentos e escreve às sextas no Know or Never. Contato: felipetaylor@knowornever.com
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