16/01/2009

Afinal, essa crise vai gerar inflação ou deflação?


Se você tem acompanhado as notícias sobre a crise com atenção, é provável que esteja com a seguinte dúvida: afinal, a crise é inflacionária ou deflacionária? Essa dúvida existe justamente porque a resposta não é simples. Esta crise tem o potencial para ser as duas coisas.

A crise em que vivemos teve seu epicentro no sistema financeiro dos Estados Unidos. Anos de juros baixos, acompanhados de muita irresponsabilidade das instiuições financeiras, concedendo empréstimos a quem não tinha capacidade de pagamento, criaram uma bolha de preços dos ativos, principalmente das casas.

Simplificando, podemos dizer que o que ocorreu foi que achamos que éramos muito mais ricos do que na verdade somos. Quando a bolha estorou, uma montanha de dinheiro sumiu do mundo, um dinheiro que nao era compatível com a realidade da nossa riqueza. Por isso o crédito ficou muito mais difícil, empresas quebraram e o mundo todo enfrenta um cenário de atividade declinante e desemprego crescente.

Menos crédito e menos emprego (que equivalem a menos renda) reduzem a demanda por bens e serviços, o que faz os preços caírem. Daí a deflação. Existe mais oferta do que demanda e o preço precisa cair para gerar mais demanda e diminuir a oferta, até a economia entrar em equilíbrio novamente.

Ok. Fechamos a lógica da deflação, que é a parte mais simples. Mas e a inflação? De onde viria? Aguarde o próximo post!


*Felipe Taylor é carioca, economista, sócio da Axio Investimentos e escreve às sextas no Know or Never. Contato: felipetaylor@knowornever.com

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